quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Um texto do confrade português Pe. Rui Santiago

Procuro o teu silêncio

Procuro o Teu Silêncio, Jesus… Aquele das colinas pela noite dentro enquanto os teus discípulos dormiam tranquilos. Esse silêncio cheio de sussurros e segredos que a Ruah, Espírito Santo de tantos nomes, meu Amor, vai levando e trazendo como brisa em que o Abba te beija e tu te derramas inteiro n'Ele…

Esse silêncio prenhe de Palavra, ponto-de-encontro, onde por amor tu te perdes no Abba e o Abba se perde em ti, como quem se passeia para sempre dentro do outro...
Esse silêncio assim, sereno, onde todas as coisas mudam de figura, todos os acontecimentos são recriados, onde cada lágrima é sarada com ternura e cada contentamento é conduzido à Alegria última e definitiva da Festa lá na Casa do Abba…

Procuro o teu silêncio, Jesus, porque não quero sobrepor as minhas palavras às tuas. Queria tanto pôr-te a falar de cada vez que abro a boca… Oh, e são tantas… Também já vivi o suficiente para perceber que quem não é capaz de estar em silêncio, não tem nada para dizer que valha a pena ouvir com atenção…

Amo-te tanto, Jesus… Quereria que cada ser humano encontrasse em ti os segredos de uma Vida Nova, a maneira de amar, perdoar, sonhar, ousar… viver e morrer ao teu jeito, sentindo-se "filho" de um Deus Maior que tudo! Viver e morrer com um Coração filial… Oh Jesus, haverá privilégio maior?! Não acredito…

É por isso que procuro o teu Silêncio, Jesus, aquele em que o teu Coração Filial se deixava mimar, moldar, esculpir pelo sussurro do Abba e pelas carícias da Ruah… Era assim que a Ruah te ia ungindo permanentemente e o Abba te ia gerando como Filho em cada momento… Que fidelidade a tua, Jesus! Que fidelidade…

Encantas-me.

Procuro em ti essa sabedoria de calar enquanto se procura. Senhor da Boa Notícia, mastigaste-a toda no silêncio do teu Coração, quando face-a-face com o Abba revivias todos os encontros, situações, rostos e lugares dos teus dias… E tudo ganhava um sentido novo. Depois, na tua fidelidade incondicional, e com a Verdade que a Ruah consagrava em ti, agias, falavas e decidias segundo o Coração do Abba. Eis o Reino a acontecer!

Eis o Reino de Deus a germinar das tuas palavras, acções, silêncios e provocações… Eis o Reino, próximo, ao alcance, aí! Eis aí diante de nós o jeito de Deus querer as coisas e sonhar as pessoas! O Reino de Deus, o agir de Deus ao nosso alcance…

Encantas-me.

Queria inventar outra palavra para dizer o que sinto, mas não sai nada…

Encantas-me.

Procuro o teu Silêncio, Jesus, para escutar melhor o rumor do Reino de Deus a acontecer entre nós, para lhe apanhar melhor o ritmo e o jeito…

Procuro, Jesus, a descoberta da mais profunda Adoração, que é estar maravilhado diante do meu Deus! Assim, maravilhado, de boca calada, amando e deixando-me amar, esquecendo o meu pecado e os meus medos por um instante para me reduzir simplesmente a esse olhar encantado que se derrama para o outro e o absorve inteiro. E que me transforma completamente... me cura, me dignifica, me serena, me encoraja, me capacita para a tarefa de ser verdadeiramente Feliz!

Estar diante do outro de boca calada… Só o Amor consegue esta proeza. É este Silênco que procuro, Jesus, o silêncio maravilhado dos amantes, das crianças e dos sábios.

Amo-te tanto…

Encantas-me.

Silêncio…



...oh Jesus, estás sempre tão próximo...


...Ruah, meu amor...



Abba…

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