segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Poemas (2)

Seguindo com a nossa série de poemas, fica acertada de que, a cada segunda, você encontrará aqui um belo texto para nosso enriquecimento. Caso você conheça ou tenha algum poema que queira pertilhar, é só enviar para dalbemcssr@gmail.com ou mlr.fj2600@gmail.com

Continuam nossa série, um poema do argentino Jorge Luis Borges, do livro "A Cifra":

Os Justos

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.


Jorge Francisco Isidoro Luiz Borges Acevedo nasceu em Buenos Aires em 24 de agosto de 1899 e faleceu em Genebra no dia 14 de junho de 1986, aos 86 anos de idade. Este célebre argentino foi escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaista, sendo mundialmente conhecido pos seus contos e histórias curtas.

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